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Proposta beneficia empresas de construção que reciclarem entulho

Publicado no site da Câmara dos Deputados em 2 de agosto de 2011

A Câmara analisa o Projeto de Lei 640/11, do deputado Marcelo Matos (PDT-RJ), que cria regras para a reutilização e reciclagem de resíduos da construção civil, além de oferecer benefícios às empresas que adotarem essa prática.

A proposta também estabelece que, para participar de licitações de obras públicas, as empresas de construção civil terão de usar parte de resíduos reciclados.

Pelo projeto, as empresas privadas que investirem em capacitação tecnológica para reduzir a quantidade de resíduos ou utilizar material reciclado terão as seguintes vantagens:
- regimes especiais facilitados para o cumprimento de obrigações tributárias acessórias;
- prazos especiais para pagamento dos tributos;
- incentivos fiscais para a importação de produtos ou tecnologias necessárias para a reciclagem de resíduos;
- inserção nos programas de financiamento com recursos de fundos existentes ou a serem criados;
- parceria com órgãos ou entidades da administração federal, estadual ou municipal.

Fundo

Cada região poderá criar um Fundo de Resíduos da Construção Civil, que será constituído por doações de entidades nacionais e internacionais, pessoas físicas ou outras receitas eventuais.

Esse fundo terá, entre outros, o objetivo de recuperar áreas degradadas pela disposição inadequada de resíduos e incentivar estudos e pesquisas que desenvolvam técnicas de reciclagem.

A reciclagem dos entulhos da construção civil aponta como sendo a melhor forma de evitar prejuízos à natureza. Apesar de seu baixo custo, essa técnica simples de reciclagem ainda é pouco utilizada”, afirma o deputado. “Os entulhos poderiam ser reciclados e reutilizados na confecção de peças pré-moldadas de concreto, bases de pavimentos, enchimento de fundações de construção, aterros.”

O deputado observa também que diversos países já utilizam a indústria de reciclagem desses resíduos por proporcionar melhorias significativas ao meio ambiente.

Tramitação
A proposta foi apensada ao PL 1739/07, que obriga as prefeituras dos municípios com mais de 100 mil habitantes a seguir um plano de sustentabilidade do ambiente aprovado por lei municipal. As propostas serão analisadas por comissão especial a ser criada especificamente com essa finalidade, com integrantes das comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Desenvolvimento Urbano; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Logística Reversa ainda não é realidade

Publicado no Portal Exame em 2 de agostos de 2011

Sancionada há um ano, no dia 2 de agosto de 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos mudou a maneira como o governo, em suas três esferas, empresas e cidadãos devem encarar a destinação do lixo. Um dos principais pontos diz respeito à logística reversa, que traz para os vendedores e fabricantes parte da responsabilidade no descarte dos resíduos dos produtos.

Esse tema depende de acordos com as cadeias produtoras que devem definir o modelo de recolhimento, reciclagem e destinação final, para entrar efetivamente em funcionamento. Mas, até o momento, nenhum ramo industrial apresentou proposta nesse sentido.

Para a coordenadora de Ambiente Urbano do Instituto Polis, Elisabeth Grimberg, o atraso no processo de definição da logística reversa se deve à falta de empenho das indústrias. “[Não há] Nenhum movimento dos fabricantes nessa direção de assumir que estão fazendo uma discussão de com qual modelo eles vão fazer a parte deles”, disse em entrevista à Agência Brasil.

A indefinição prejudica, segundo Elisabeth, outros pontos previstos na política nacional, como os planos municipais para gestão de resíduos. Isso porque as estratégias devem levar em conta todo o manejo, incluindo a coleta e reciclagem da qual as empresas também deverão participar.

A situação se agrava, na avaliação da especialista, em razão dos prazos. Os planos municipais devem ser concluídos até 2012 e, em 2014, só poderão ir para os aterros o lixo que não tem mais como ser aproveitado ou remanufaturado.
Existem, entretanto, setores que estão mais avançados no processo de discussão, segundo o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério de Meio Ambiente, Nabil Bonduki. Ele cita, por exemplo, os fabricantes e distribuidores de lubrificantes que, de acordo com o secretário, deverão assinar um acordo setorial antes do fim deste ano.
Outros, como o de eletroeletrônicos, Bonduki define como “complexos” porque abrange vários produtores diferentes. “Envolve computadores, celulares, eletrodomésticos”, enumera. Diversidade que, na avaliação dele, deve dificultar a assinatura de um acordo. “Certamente na hora da definição de qual será a proposta não será fácil encontrar um denominador comum. Talvez terá que ser feita, em cada um desses segmentos, uma proposta específica”, antecipa.
O secretário faz questão de ressaltar, no entanto, que a indústria não está “apática” no processo de discussão. Mas ele pondera que só será possível saber até que ponto as empresas estão realmente dispostas a colaborar quando a logística reversa for colocada em prática. “Na hora que for proposta uma logística dos diferentes setores, nós vamos ver qual vai ser o grau de adesão à proposta que for lançada.”

Para o diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos da Silva Filho, é normal que haja um período de adaptação à lei, sem resultados práticos. “Esse é um processo natural. Porque a lei é bastante inovadora, que altera a sistemática até então desenvolvida e exige um tempo de adaptação”, avaliou.

Mas o período de discussão chegou ao fim, na opinião de Silva. Por isso, deve-se exigir, a partir de agora, o cumprimento do estabelecido na legislação. “A partir desse momento o assunto já está mais do que maduro para ser exigido, inclusive, o seu não cumprimento pode ser penalizado.”

Usina recebe licença da Cetesb

Publicado do O Regional em 28 de julhio de 2011

Prefeitura de Catanduva, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura, anunciou que recebeu a licença de instalação da usina de entulho e firmou compromisso com a Promotoria de Meio Ambiente para implantação até setembro de 2012.

Segundo o setor, assim que for recebida a verba solicitada para a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, a usina poderá ser implantada antes deste prazo.

Em tramitação desde o início do ano, a Prefeitura recebeu da Cetesb a licença prévia nº 14001912 e requereu a licença de instalação para resíduos sólidos da Construção Civil e ou inertes, no aterro para resíduos sólidos da construção civil e ou inertes, no aterro a Rodovia Vicente Sanches.

A concepção do projeto da Usina de Reciclagem de Entulho leva em conta a destinação ambientalmente correta dos resíduos da construção civil, gerados no município.

CRONOGRAMA

A implantação da usina está prevista para 2012 e para entrar em funcionamento, o município está aguardando um posicionamento do Governo do Estado quanto à liberação de verba para implantação do empreendimento, cujo orçamento soma cerca de R$ 1.000.000,00.

A usina será instalada na Rodovia Vicente Sanchez, junto ao depósito de galhos, numa área aproximadamente de 5.000 m².

PROCESSO

O processo de reciclagem basicamente é o de moagem, através de trituradores de restos de concreto, telhas, blocos e tijolos. Outros materiais como aço e madeira serão segregados antes.

O material produzido servirá de base para pavimentação, mistura em argamassa, regularização de pisos, entre outros. O volume produzido no município não é aferido exatamente, a Prefeitura estima que em aproximadamente 150m³/dia, que são utilizados em aterro particular, muitas vezes sem o devido cuidado ou destinado em áreas onde a Prefeitura tem interesse em regularização de erosões.

A Prefeitura não tem despesas com o entulho atualmente. A forma de operação da usina ainda está em estudo, pois poderá ser administrado diretamente pela Prefeitura ou concessão.

“A usina é uma antiga pretensão da administração, porém o valor de implantá-la e como administrá-la são dificuldades a serem vencidas”, argumenta o município.

Empresário vê possibilidade de investir em mais uma Usina de Reciclagem no Paraná

Publicado no site ParanaShop em 28 de julho de 2011

O diretor presidente do grupo Higi Serv, Adonai Aires de Arruda, esteve presente na reunião da diretoria executiva do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon), para apresentar ao mercado as formas de reaproveitamento de resíduos de construção civil realizadas na Usina de Recicláveis Sólidos Paraná (Usipar) – a mais nova empresa do grupo Higi Serv e a primeiro do estado com esta finalidade.

Durante a apresentação foram detalhados o processo de reciclagem do material, desde a separação dos produtos, classificação até a trituração da matéria-prima que pode ser reutilizada na construção civil com preço ate 25% mais baixo do que o usual. Um alerta foi relatado pela equipe de engenheiros da Usipar, cerca de 30% das caçambas de itens de construção civil entregues na Usina são recusados porque possuem mais de 35% de materiais como plásticos e papelão ou itens como pedaços de árvores, colchões e até televisores. “Nosso objetivo é mostrar que a reciclagem destes materiais é importante para o meio ambiente, por isso precisamos conscientizar que a separação de lixo tem que ser efetuada desde o começo do processo, como fazemos em casa”, afirma a engenheira Livia Ferreira, da 3R Ambiental.

Todo o material reciclado que é separado na triagem e não serve para a construção civil, como o plástico e o papelão, são prensados e encaminhados à empresas licenciadas para o destino correto destes produtos. Leia +

Plano Nacional de Resíduos Sólidos Será lançado em agosto

Publicado no site da Revista Sustentabilidade em 28 de julho de 2011

O segmento econômico da Construção Civil, representado na figura da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresentará até o dia 15 de agosto de 2011 uma proposição de metas, estudos e ações que posicionem o setor no Plano Nacional de Resíduos Sólidos.

O prazo, até o qual a indústria da Construção terá que debater e se posicionar quanto ao tema, foi assumido pela CBIC em reunião com representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que coordenam os trabalhos de definição do Plano Nacional de Resíduos Sólidos.
Nesse ínterim, a Comissão de Meio Ambiente da CBIC discutirá as propostas para o plano de metas de redução de resíduos sólidos no setor da construção com seus associados. No 83º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), que será realizado em São Paulo, em 11 de agosto, a entidade realizará um painel para reunir e consolidar as análises e contribuições de seus membros.

Organograma de estudos
A CBIC integra o GT1 (Grupo de Trabalho para os Planos e Acompanhamento da Implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos) que foi criado e instalado no final do mês de junho.
O GT1 tem quatro principais incumbências. A primeira delas é cuidar do acompanhamento e discussão do processo de elaboração e implementação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos.
O grupo também deve coordenar a promoção de estudos e elaboração de propostas de atendimento aos desígnios da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Outra responsabilidade do GT1 é propor ações para apoiar a elaboração, implementação, execução e revisão dos planos de resíduos sólidos (Art. 14 da Lei 12.305/2010).
Por fim, o GT1 deve coordenar a promoção de estudos e elaboração de propostas de mecanismos de cobrança dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos.
Com o objetivo prioritário de discutir e elaborar as metas de redução de resíduos do Plano Nacional, cinco subgrupos de trabalho (SGT) foram criados para os trabalhos da primeira fase e cada um responderá por um tipo de resíduo como objeto do estudo.
O CBIC integra o SGT1 que responde pela análise dos seguintes temas: Resíduos Urbanos, Construção Civil, Catadores, Geração de energia de gás metano e Logística Reversa Obrigatória. O STG1 é coordenado pelo diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Silvano Silvério da Costa.
As metas propostas pelo GT1 serão discutidas posteriormente, no 2º semestre de 2011, nos seminários regionais que serão realizados em Belém, Recife, Campo Grande, Curitiba e São Paulo, no encontro nacional em Brasília e em consultas públicas, eventos cujas datas serão divulgadas em agosto.

Plano Nacional de Resíduos Sólidos mais perto da versão preliminar

Fonte: Ministério do Meio Ambiente – MMA | 27 de julho de 2011

Em 1º de agosto, os integrantes do Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos reúnem-se para analisar o documento contendo o diagnóstico, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), algumas metas para diferentes cenários estudados e propostos pelo Grupo de Trabalho (GT1) e também um conjunto de dados e informações que podem resultar na versão preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos.

Na reunião da última sexta-feira (22/7), realizada em Brasília e coordenada pelo secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Nabil Bonduki, os integrantes do GT, que já haviam discutido o diagnóstico, tiveram a oportunidade de se debruçar sobre as metas propostas para os cenários dos resíduos sólidos urbanos, da construção civil, dos serviços de saúde, de transportes, mineração, industriais e agrossilvopastoris, considerando como se dará a inserção de catadores de materiais recicláveis.

Na ocasião, o diretor de Ambiente Urbano do MMA, Silvano Costa, informou que o Comitê Interministerial vai avaliar se esse conjunto de informações é suficiente para a consolidação da primeira versão do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, documento que será colocado em discussão e receberá contribuições da sociedade nas audiências públicas regionais, a serem realizadas nos meses de setembro a novembro deste ano.

O documento também poderá receber contribuições da sociedade durante o período de realização das audiências públicas por meio da consulta pública na internet. A versão final do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, após análise e incorporação das contribuições, será apresentada na Audiência Pública Nacional prevista para novembro, em Brasília.

Além de representantes do Ministério do Meio Ambiente, participaram representantes das outras dez pastas ministeriais que compõem o Comitê Interministerial, além da Casa Civil e da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, do Ibama e do Ipea.

ABC produz 2,3 mil toneladas de lixo por dia, mas só recicla 1%

Publicado em Reporter Diário On line em 22 de julho de 2011

A produção de resíduos sólidos urbanos no ABC atingiu a marca de 2,3 mil toneladas por dia em 2010. Entre os maiores produtores estão São Bernardo e Santo André, com média de 273,7 mil e 332,4 mil toneladas em 2010, respectivamente. Os gastos com coleta, transporte e armazenamento de material recolhido estão na casa de R$ 90,5 milhões anuais na região.

Apesar disso, apenas 1% de todo o lixo produzido no ABC vai para cooperativas de reciclagem. Como meio de diminuir o problema do espaço ocupado pelos resíduos, as duas maiores produtoras de lixo da região planejam usinas de incineração, apesar de especialistas divergirem em relação aos benefícios da medida. Em São Bernardo o equipamento deve sair em 2014. Já Santo André estuda a viabilidade.

Em São Bernardo, cada um dos 765,4 mil munícipes descarta cerca de 890 gramas de lixo por dia, volume que gera custo anual de R$ 42 milhões, sendo R$ 24 milhões com coleta, R$ 18 milhões com o aterro sanitário Lara, em Mauá, e R$ 1,5 milhão com a operação ‘cata bagulho’.

Santo André paga R$ 64,80 por tonelada de lixo produzido e encaminha cerca de 2,7 mil toneladas de resíduos para o aterro municipal mensalmente. Quinze estações de coleta espalhadas pela cidade cuidam do recolhimento de entulhos.

Os 386 mil moradores de Diadema produzem 9 mil toneladas de lixo por mês, o que gera gasto de R$ 15,2 milhões por ano com coleta, transbordo, transporte e destinação final para o aterro sanitário Lara, em Mauá. O município tem o programa Pé na Rua, que recolhe entulhos pela cidade, no entanto, não consegue especificar o gasto com a ação.

A produção de lixo em Mauá em 2010 foi de 91 mil toneladas, com gasto de R$ 6,7 milhões com transporte do lixo e R$ 6,7 milhões com o aterro. Já São Caetano produz média diária de 1,1 kg de lixo por pessoa, volume de 60 toneladas em 2010, com gasto médio de R$ 500 mil por ano. mais…

A gestão do entulho

Publicado no jornal O Estado de São Paulo em 09 de julho de 2011

A Prefeitura de São Paulo decidiu, finalmente, acabar com uma das práticas mais danosas para o meio ambiente na capital – o descarte irregular de resíduos de construção civil. Um novo contrato a ser firmado com as concessionárias de limpeza urbana obrigará a retirada das montanhas de entulho abandonadas em áreas impróprias e a reciclagem do material coletado tanto nesses locais quanto nos depósitos regulares. Com isso, o governo municipal começa a atender às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que determina a instalação de centrais de triagem e reciclagem nos aterros. As quatro empresas que prestam esse tipo de serviço em São Paulo recebem mensalmente 78 mil toneladas de restos de construção das empresas de caçambas credenciadas, dos 42 ecopontos e canteiros de obras dos governos estadual e municipal.

Estima-se que isso corresponda ao que a construção civil da capital produz em menos de uma semana. A cada dia, são irregularmente descartadas em São Paulo 17 mil toneladas de entulho, na maior parte restos de tijolos, aglomerados, telhas, pedras, carpete, estuque, madeira, metais e gesso. Entre os responsáveis pelas obras, é comum a contratação de caçambeiros que recolhem o lixo e o abandonam na primeira área livre que encontram – desde praças e canteiros centrais de avenidas até áreas de proteção ambiental -, para diminuir o custo do transporte.

A irresponsabilidade de alguns causa sérios prejuízos à população. O entulho degrada a paisagem urbana, serve de criadouro para transmissores de várias doenças e, nas épocas de chuvas intensas, vai parar nas galerias e nos cursos d”água, agravando o problema das enchentes. Isto exige da administração pública investimentos cada vez maiores para a manutenção de galerias e limpeza de rios e córregos.

A cidade perde muito também com o desperdício do entulho. O material resultante da reciclagem de restos de construção é de alta qualidade, pois contém elementos como o cimento, que assegura melhor liga. O entulho reciclado pode, assim, baratear a construção sem comprometer sua qualidade. Está provado que a resistência desse produto pode ser igual ou mesmo superior à dos agregados primários.

Hoje, o entulho é enterrado, embora a maior parte dos restos de construção, asfalto e concreto possa ser reciclada. Estudos mostram que é possível fazer o reaproveitamento desse material em instalações e por equipamentos de baixo custo, em grande parte na própria obra onde o resíduo é gerado, o que permite a economia dos custos de transporte.

O edital para a seleção das concessionárias que atuarão na coleta e reciclagem dos resíduos de construção determina o reaproveitamento de apenas 10% de todo o entulho produzido na cidade. Considerando-se o alto valor desse material e os benefícios que ele pode trazer, é difícil entender por que se estabeleceu um porcentual tão baixo como aquele. Além disso, o entulho que não for reciclado deverá ser aterrado, para que futuramente possa ser recuperado e levado às centrais de reciclagem, o que dobra o trabalho e os custos.

Regras mais rígidas possibilitariam melhor controle do desperdício e, consequentemente, maior aproveitamento do material. Muito do entulho produzido pela construção civil é resultado de falhas de projeto e de execução, de estoque mal organizado e da má qualidade dos materiais. A melhoria do planejamento e do controle das obras, principalmente as públicas, reduziria o entulho produzido diariamente na cidade.

A Prefeitura de São Paulo foi pioneira no Hemisfério Sul ao instalar, em 1991, a primeira usina de reciclagem com capacidade para 100 toneladas/hora. O material produzido passou a ser utilizado na pavimentação de vias secundárias. Mas, de lá para cá, pouco se avançou no tratamento dos resíduos de construção. Como a qualidade de vida e a utilização não predatória dos recursos naturais estão na ordem do dia, o que se espera agora da Prefeitura e da indústria da construção civil é maior atuação nesse setor.

Balneário realiza fórum de resíduos da construção civil

Publicado na Tribuna Catarinense em julho de 2011

O município é pioneiro na implantação de projetos que visam a reciclagem dos materiais utilizados na obra.

Vários empresários e representantes da sociedade organizada participaram, nesta última segunda-feira (27), do 1º Fórum de Resíduos da Construção Civil. O evento aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores de Balneário Camboriú e ressaltou a importância do destino correto dos resíduos gerados pela construção civil. O Fórum foi realizado pelo Projeto Urutau e pela Central de Tratamento de Resíduos de Balneário Camboriú (CTRT), com participação de várias entidades apoiadoras.
Durante todo o dia foram realizadas palestras e debates sobre o tema. O vereador Orlando Angioletti destacou a construção civil como a maior indústria no município e reafirmou a parceria do Poder Legislativo com as entidades representativas do setor para fomentar o desenvolvimento sustentável. O primeiro vídeo da manhã foi o “Projeto Cinema no Canteiro de Obras”, uma iniciativa de levar a sétima arte até os trabalhadores e empresários da construção civil para a conscientização sobre gestão de resíduos nas construções e as maneiras de fiscalizar a correta aplicação dos materiais. Após a apresentação do vídeo, o consultor Vinício Bruni, coordenador de resíduos sólidos – SEMA do Paraná, falou sobre a legislação vigente e o exemplo do Estado vizinho no gerenciamento dos resíduos da construção. O presidente do Sindicato da Construção Civil de Balneário Camboriú (Sinduscon), Carlos Haacke, discursou sobre o exemplo que a entidade vem gerenciando os resíduos e destacou que em 2006 foi distribuída uma cartilha para despertar a conscientização ambiental entre os associados e que Balneário Camboriú hoje é um exemplo em Santa Catarina no tratamento e reciclagem dos resíduos gerados pela construção civil.
A engenheira ambiental, Daiana Censi, falou sobre a importância da separação dos materiais nos canteiros das obras. “É preciso instruir o funcionário sobre a maneira correta da separação e armazenamento destes materiais que podem ser reutilizados”, disse. “Muito entulho é gerado em uma obra, por isso é preciso uma área própria para a separação e acondicionamento destes recicláveis”, explica. “Também é possível reutilizar estes materiais dentro do próprio canteiro de obras, como o caso da madeira”, aconselha a engenheira. Daiana disse ainda que uma obra bem estruturada traz vários benefícios para os próprios funcionários.
Segundo as estatísticas, alguns dos materiais com altos índices de desperdício, são: aço, de 11 a 16%; concreto usinado, de 9 a 23%; bloco de tijolos, de 13 a 40%; e cerâmicas, de 14 a 50%.
Pioneira
A primeira usina de reciclagem e reaproveitamento dos resíduos da construção civil de Santa Catarina está em Camboriú. Em 2002, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), através da Resolução nº 307 estabeleceu diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Hoje, no Brasil, segundo as estatísticas oficiais, dos mais de 5.500 municípios, apenas 39 prefeituras normatizaram o seu plano de gerenciamento dos resíduos da construção civil. Balneário Camboriú foi a primeira de Santa Catarina a implantar seu plano, graças à atuação do Sindicato da Indústria da Construção Civil.
O empresário Paulo Caseca, diretor da Central de Tratamento de Resíduos da Construção Civil (C.T.R.T.), revelou que antes da resolução nº 307, em 2002, cerca de 70% das obras, existentes em Balneário Camboriú, já estavam concluídas. “Olha o volume de materiais que foram desperdiçados”, diz. Caseca afirma que cerca de 30% dos materiais utilizados em obras podem ser reaproveitados. “Balneário Camboriú está na frente das outras cidades catarinenses e de outras mais do país”, disse. O empresário destacou que a usina localizada em São José do Rio Preto-SP é exemplo para as demais. “Na nossa reciclagem vem de tudo. É preciso ter uma logística na preparação dos materiais”, afirma. Caseca disse ainda que pretende adquirir um britador móvel para facilitar o trabalho nas demolições que acontecem no município. “Reciclar é um bom negócio. Portanto exerça seu direito de cidadão, denunciando quem deposita entulho de construção civil em locais não licenciados”, conclui Paulo Caseca.

SP terá de reciclar pelo menos 10% de seu entulho

Publicado no O Estado de São Paulo em 30 de Junho de 2011.

A Prefeitura de São Paulo vai finalmente começar a reciclar o entulho de obras e da construção civil. Orçado em R$ 88,4 milhões, um novo contrato colocado ontem em consulta pública vai dobrar o volume de resíduos sólidos retirado das ruas da cidade e de obras públicas.

A medida do governo municipal visa a acabar com os atuais contratos emergenciais de 2006, de R$ 30 milhões por ano, e atende à Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada no ano passado, ao implementar as centrais de triagem e reciclagem nos aterros. Ainda não há prazo definido para a licitação.

Hoje as quatro empresas responsáveis pelo serviço recebem até 78 mil toneladas de resíduos sólidos recolhidos mensalmente por empresas de caçamba credenciadas, dos 42 ecopontos e de obras dos governos municipal e estadual – todo o volume é hoje enterrado em aterros localizados na capital, o que é condenado por ambientalistas, principalmente pelo alto valor agregado desse tipo de material.

“O entulho reciclado é melhor para a construção civil do que a própria matéria-prima, porque ele já possui cimento e dá mais liga. É um absurdo São Paulo não ter esse serviço até hoje”, disse Nina Orlow, integrante do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente da Rede Nossa São Paulo. Com o novo contrato, serão levadas para os aterros até 156 mil toneladas de entulhos por mês.

O edital determina que pelo menos 10% de todo o entulho seja reciclado, mas a expectativa é de que a empresa vencedora acabe reciclando bem mais do que isso, por causa dos lucros que pode retirar com a venda dos materiais. Os recicláveis que não forem reutilizados deverão ser aterrados de maneira que, futuramente, possam ser retirados e levados às centrais de reciclagem.

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